{"id":73,"date":"2012-04-19T12:08:28","date_gmt":"2012-04-19T12:08:28","guid":{"rendered":"http:\/\/capoeirabrasilparaiba.wordpress.com\/?page_id=73"},"modified":"2012-04-19T12:08:28","modified_gmt":"2012-04-19T12:08:28","slug":"1-o-que-e-capoeira","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/capoeirabrasilparaiba.com.br\/index.php\/1-o-que-e-capoeira\/","title":{"rendered":"01. Hist\u00f3ria da Capoeira."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/capoeirabrasilparaiba.wordpress.com\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/histc3b3ria7.docx\">Hist\u00f3ria Isto \u00e9 a liberdade&#8230; &#8230;isto \u00e9 a capoeira I\u00ea\u00ea\u00ea!&#8230; Toca o berimbau&#8230; Toca o pandeiro&#8230; Toca o atabaque, transmitindo arrepios de emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es. O aperto das m\u00e3os d\u00e1 inicio a uma brincadeira corporal com movimentos arriscados cheia de mandinga e mal\u00edcia, esquiva, defender do ataque surpresa e finalizar o jogo com a sauda\u00e7\u00e3o dos camaradas\u2026 Esta \u00e9 a heran\u00e7a deixada por essa dan\u00e7a negra que em tempos deu a liberdade aos escravos. Isto \u00e9 a liberdade\u2026 Isto \u00e9 a capoeira&#8230; Que sofreu e ainda sofre modifica\u00e7\u00f5es pois uns defendem a sua tradi\u00e7\u00e3o, outros s\u00f3 o papel de desporto ou simplesmente a arte marcial. \u00c1frica&#8230; &#8230;Brasil \u00c1frica, a escravatura come\u00e7a por volta de 1430 com a chegada dos portugueses. Estes provocavam e alimentavam ainda mais a rivalidade entre tribos africanas, provocando conflitos que resultavam em prisioneiros, depois, negociavam com traficantes negreiros para estes os comprarem. Numa altura em que j\u00e1 havia um enorme e desumano tr\u00e1fico de escravos, Portugal descobre o Brasil e a sua coloniza\u00e7\u00e3o come\u00e7a por volta de 1530. Come\u00e7am ent\u00e3o as grandes viagens dos navios negreiros de \u00c1frica rumo a terras brasileiras Barcos com dor&#8230; &#8230;mais dor lhes esperava! Viajando sem qualquer espa\u00e7o ou condi\u00e7\u00f5es nos por\u00f5es dos navios, uma grande parte de africanos morria por doen\u00e7as e maus-tratos. Esta perda de liberdade provoca neles um sentimento de revolta e dor. \u00c0 chegada eram sujeitos a leil\u00e3o para os capatazes e senhores que escolhiam s\u00f3 os melhores. Uns faziam tarefas dom\u00e9sticas, outros, trabalhos for\u00e7ados. Os feitores davam a disciplina para garantir a produtividade dos escravos e estes, em troca recebiam p\u00e3o, pano ou castigos por assassinar feitores e cometer suic\u00eddio e at\u00e9 mesmo por se reproduzirem. Sem qualquer atitude humana os escravos s\u00f3 podiam fazer o seu pr\u00f3prio cultivo fora de horas do trabalho. Os feitores tinham a liberdade nas chibatas&#8230; &#8230; os negros tinham a liberdade na Capoeira Aos poucos a fuga era a \u00fanica sa\u00edda que tinham mas para isso havia os capit\u00f5es-do-mato que de tudo fazia para os devolver ao cativeiro, e com pesados castigos, mas depressa eles fugiam, cada vez mais organizadas, no meio de uns rituais e cultos orix\u00e1s, permaneciam disfar\u00e7ado as dan\u00e7as ao som de atabaque de que resulta a capoeira. \u00c9 da for\u00e7a f\u00edsica do trabalho escravizado e dos movimentos dessa dan\u00e7a que muitos dos escravos conseguem a sua liberdade. Liberdade no quilombo&#8230; Nas matas e j\u00e1 com a liberdade, os negros formavam quilombos onde viviam segundo as suas regras. Foram numerosas estas comunidades e chegaram a travar muitas lutas com escravocratas. O quilombo mais conhecido foi o de Palmares que depois de setenta anos de resist\u00eancia foi destru\u00eddo, mas a for\u00e7a desse povo permaneceu. Foi em Palmares que foi registada a capoeira pois esse povo vencia com a sua maneira de lutar e aos poucos foi-se tornando uma arma de defesa e ataque. No caso da Capoeira trouxemos aqui algumas defini\u00e7\u00f5es para an\u00e1lise do que significa essa manifesta\u00e7\u00e3o cultural do nosso povo. \u201cCapoeira \u00e9 mandinga de negro em \u00e2nsia de liberdade, seu princ\u00edpio n\u00e3o tem m\u00e9todo e seu fim \u00e9 inconceb\u00edvel ao mais s\u00e1bio dos mestres.\u201d Mestre Pastinha &#8230;os m\u00faltiplos aspectos da capoeira&#8230; &#8230;se manifesta consoante o contexto&#8230; &#8230;como a \u00e1gua toma a forma do vaso&#8230; &#8230;no treino \u00e9 gin\u00e1stica&#8230; &#8230; Na festa \u00e9 uma dan\u00e7a&#8230; &#8230;na arte \u00e9 coreografia&#8230; &#8230;na tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 folclore&#8230; &#8230;na briga \u00e9 luta&#8230; &#8230;no perigo de vida \u00e9 defesa pessoal&#8230; &#8230;na vida \u00e9 filosofia&#8230; &#8230;na medicina \u00e9 terapia&#8230; &#8230;na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 pedagogia&#8230; &#8230;na inf\u00e2ncia \u00e9 a brincadeira&#8230; &#8230;na velhice \u00e9 sabedoria&#8230; &#8230;no ex\u00e9rcito \u00e9 arte militar&#8230; &#8230;no estresse \u00e9 o al\u00edvio&#8230; &#8230;para neurose o equil\u00edbrio&#8230; &#8230;quer mais? Dr.Dec\u00e2nio \u201cEsses homens aqui escravizados, em sua grande maioria, resistem ao sistema conscientemente ou n\u00e3o, desenvolvem um processo de resist\u00eancia cultural e assim como uma recria\u00e7\u00e3o do negro africano no Brasil surge a Capoeira: uma linguagem poliss\u00eamica, com v\u00e1rios sentidos, que como uma das contradi\u00e7\u00f5es do processo de domina\u00e7\u00e3o, representou e ainda representa importante elemento tamb\u00e9m para a preserva\u00e7\u00e3o da identidade sociocultural e, sem d\u00favida uma forma sui generis de estar no mundo\u201d. C\u00e9sar Barbieri Depois de vermos essas defini\u00e7\u00f5es, podemos concluir pelo menos duas coisas, primeiro: que a capoeira \u00e9 um elemento cultural muito poderoso; e segundo: que ela est\u00e1 enraizada na hist\u00f3ria do nosso povo, da nossa na\u00e7\u00e3o, representando desde seu g\u00eanesis, exatamente, a parcela majorit\u00e1ria dos exclu\u00eddos socialmente. A Capoeira nasce com um prop\u00f3sito muito claro e definido: LUTAR PELA LIBERDADE. Na \u00e9poca ser livre significava deixar de ser bicho, de ser coisa, significava voltar a ser gente, ou seja, ser considerado como pessoa, como cidad\u00e3o. D\u00e1-se, entretanto, o primeiro passo rumo \u00e0 inclus\u00e3o social, dentro da hist\u00f3ria brasileira, que j\u00e1 nasceu com o grupo dos exclu\u00eddos. Ent\u00e3o, podemos afirmar que, a Capoeira historicamente sempre representou a luta pela inclus\u00e3o social e que essa luta tomou v\u00e1rias formas dentro do processo hist\u00f3rico, dependendo do momento e da necessidade imposta, at\u00e9 chegar hoje a instrumento de educa\u00e7\u00e3o\/forma\u00e7\u00e3o, e of\u00edcio que tem oportunizado a muitos serem inclu\u00eddos socialmente, ou pelo menos, prepar\u00e1-los melhor rumo a essa inclus\u00e3o que deveria ser um direito garantido pelo estado e pela sociedade. Mestre Pastinha (1889-1981) Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador, a 5 de Abril de 1889, filho de um espanhol, Jos\u00e9 Se\u00f1or Pastinha e de Raimunda dos Santos, uma negra baiana de Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o. Deu os primeiros passos na capoeira quando tinha 10 anos, com um Velho Africano, o mestre Benedito, que tinha pena de Pastinha pois todos os dias apanhava de um garoto mais velho, Pastinha aprendeu a arte da mandinga e certo dia aplicou-a contra esse garoto. Desde esse dia que ficaram amigos e Pastinha ganhou respeito. Pastinha entra na marinha aos 12 anos e durante 8 anos ensinou capoeira aos colegas. Saiu aos 20 anos e abriu a sua primeira escola de capoeira entre 1910 e 1922 e depois, mudou-se para o Cruzeiro de S\u00e3o Francisco. Pastinha foi tamb\u00e9m pintor, chegando a dar aulas de pintura \u00e1 \u00f3leo. Foi jogador de futebol, treinou o Ypiranga, seu clube de cora\u00e7\u00e3o, (de onde tirou as cores do uniforme para o seu grupo: o amarelo e preto) foi engraxador, vendeu jornais, praticou esgrima, ajudou a construir o porto de Salvador e foi alfaiate. Em 1941, Mestre Pastinha fundou o &#8220;Centro Desportivo de Capoeira Angola&#8221;, onde ensinava esta arte e fazia apresenta\u00e7\u00f5es de capoeira para os turistas. J\u00e1 no final da sua vida, e praticamente esquecido, Mestre Pastinha foi despejado de onde morava e, em fins de 1979, completamente cego e depois de ter tido um derrame cerebral e de estar internado mais de um ano no hospital P\u00fablico, vai para o abrigo D. Pedro II. Morreu aos 92 anos, em 14 de Outubro de 1981. Foi homenageado com toques de Berimbau no seu enterro&#8230; Mestre Bimba (1900-1974) Manuel dos Reis Machado nasceu no bairro Engenho Velho, na Freguesia de Brotas, Salvador Bahia, a 23 de Novembro de 1900, filho de Lu\u00eds C\u00e2ndido Machado, conhecido como um grande batuqueiro, e de Maria Martinha do Bonfim, crioula de Cachoeira. O apelido &#8220;Bimba&#8221; foi ganho logo quando nasceu, fruto de uma aposta feita entre a m\u00e3e e a parteira, pois a m\u00e3e pensava que seria uma menina e a parteira um menino. Iniciou a capoeira aos 12 anos, com o africano Bentinho, capit\u00e3o da Companhia de Navega\u00e7\u00e3o Baiana. Com 18 anos come\u00e7ou a dar aulas no bairro onde nasceu, e em 1928 juntou a capoeira angola com a luta do batuque, criando a capoeira regional, uma capoeira com mais golpes. Na altura a introdu\u00e7\u00e3o de novos golpes na capoeira n\u00e3o foi bem recebida pelos capoeiristas, gerando uma pol\u00e9mica. Mas rapidamente a sua capoeira ganha fama em todo Brasil. Em 1932 fundou sua primeira academia &#8220;Centro de Cultura F\u00edsica e Regional&#8221; e em 1937, a capoeira regional era oficialmente reconhecida e registada pelo governo. Em 1939, e durante tr\u00eas anos, Bimba ensina capoeira regional no quartel do CPOR &#8220;Centro de Prepara\u00e7\u00e3o de Oficiais da Reserva do Ex\u00e9rcito.&#8221;. Criou a sua segunda academia em 1942 e a 23 de Julho de 1953, Mestre Bimba mostrou a sua Capoeira Regional ao presidente Get\u00falio Vargas, no pal\u00e1cio da Aclama\u00e7\u00e3o em Salvador, com esta exibi\u00e7\u00e3o a capoeira foi legalizada. Casado, com 10 filhos e graves problemas financeiros, Mestre Bimba deixa Salvador e vai para Goi\u00e2nia pensando ter mais reconhecimento. Um ano depois de deixar a Bahia, morreu aos 74 anos, no dia 5 de Fevereiro de 1974 ap\u00f3s ter sofrido um derrame cerebral. As academias da Bahia ficaram fechadas durante sete dias em homenagem ao Mestre Bimba.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria Isto \u00e9 a liberdade&#8230; &#8230;isto \u00e9 a capoeira I\u00ea\u00ea\u00ea!&#8230; Toca o berimbau&#8230; Toca o pandeiro&#8230; Toca o atabaque, transmitindo arrepios de emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es. 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